Sharp Objects e a complicada vida familiar

A premissa não poderia ser um clichê maior: jornalista com sérios problemas psicológicos volta à sua pacata cidade natal para investigar os assassinatos de duas garotas muito populares no local, que morreram sob circunstâncias bem misteriosas. Mas quem pensa que já viu de tudo no gênero suspense/crime policial realmente irá se surpreender com Sharp Objects.

Amy Adams interpreta Camille Preaker, uma jornalista de 30 e tantos anos que deixou Wind Gap para trás sem pensar que um dia teria que voltar. Como uma cidade típica do interior dos Estados Unidos, Wind Gap não possui mais do que 2.000 habitantes – e praticamente todos já ouviram a história trágica de Camille.

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Quando era adolescente, sua irmã mais nova, Marian (Lulu Wilson), morreu devido á uma série de complicações, já que a saúde da menina era bastante frágil. Por meio de flashbacks, vamos descobrindo ao longo da narrativa que a maioria dos problemas de Camille foram desencadeados pela morte da irmã, seguida de uma relação bastante fria com a mãe, Adora (Patricia Clarkson).

Adora é uma das personagens centrais na trama, representando o estereótipo clássico de mulher sulista, cheia de preconceitos e orgulho. A série retrata muito bem os aspectos regionais dentro da história, mostrando como se comportam os moradores do interior do Missouri. A cidade parece perdida no tempo, assim como os que habitam nela.

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Adams não desaponta como Camille. A personagem possui uma personalidade complicada, que varia entre o alcoolismo e uma aversão social a tudo que envolva Wind Gap. Apesar disso, as cenas emblemáticas têm um tom controlado, como parece ser o jeito de quem vive no sul dos Estados Unidos.

Para quem, assim como eu, decidiu maratonar séries de suspense da HBO, é possível perceber muitas semelhanças técnicas entre Big Little Lies e Sharp Objects. Por mais que as adaptações venham de autores diferentes, Nathan Ross e Jean-Marc Vallée utilizam muito das mesmas ferramentas para contar as duas histórias. A forma como eles usam flashbacks, a quantidade de tempo surpreendente que os personagens passam dentro de carros são só algumas características em comum entre as duas.

Sharp Objects, no entanto, segue fiel ao estilo de Gillian Flynn (autora de Garota Exemplar). Quando você chegar ao fim e se achar muito esperto por ter entendido tudo o que aconteceu, bom…

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